terça-feira, 16 de outubro de 2007

Caminhar no escuro se torna um hábito quando não se sente mais medo.
Mas de que adianta toda essa idéia de coragem, quando perdes o chão ao ver a luz que se dá quando aquele olhar perdido cruza com o teu, mesmo sem querer? É tudo tão falso.
A mesma hitória repetitiva da "busca eterna por respostas" que já me rendeu algumas boas horas de insônia. Queria ao menos uma vez sentir alguma coisa que lembrasse satisfação interna.
Ao mesmo tempo em que o irreal me cerca e me joga na cara quase tudo o que eu sempre quis, sobra um espaço indevidamente grande que espera o algo "certo" para tomar como partido. (usa-se o "certo", já que pra mim, perfeição nunca existiu)
Desejaria que todas as sensações e luzes que sinto no meio de tanta gente, se reproduzissem também em outra ocasião, com outros propósitos.
Às vezes abro os olhos e acho mesmo que to vivendo naquela coisa fantasiosa que crio nas horas de ócio.T alvez minha atitude mais infantil e graciosa.
Já deixei de querer saber em que parte do caminho recolhi essa tal de ilusão que, desde então, anda tão diariamente em meu encalço. Quero mesmo é saber como agir para deixá-la para trás, transformar os sonhos bobos em algo verdadeiro.

Faz tudo parte da fé substancial e maluca, que encontrei em mim.

No meio da noite e depois de um sonho ruim, lembrei de chamar teu nome. Teu nome, aprendido horas antes e várias vezes repetidos.

E pensar nas tuas cores na minha, juntas e reluzentes.

Mais ou menos na hora de fechar os olhos, os flashes já me acompanham, uma enxurrada de memórias que eu talvez devesse esquecer. Quanto tempo, um mês, dois, um semestre, um ano, dois? Há quanto tempo entraste na minha vida? Entraste mesmo ou foi só uma pequena passagem, a qual eu chamei vagamente de ‘nossa história’?

Dizem que o tempo é que é o dono da razão, mas são justamente suas, as horas, que me trazem tanta angústia. Elas (as horas que passei contigo) (as muitas) gostam de ser fazer parceiras daquilo que eu chamo de mal maior, as lembranças, e também insistem em me fazer companhia em todos os momentos. Nos últimos dias, meu travesseiro, o confidente, nem ele mais agüenta saber de você. Já me disse que não sabe responder onde te encontrar, quais foram nossos erros, e os detalhes que deixei escapar. Nem ele sabe, nem eu sei. Talvez nem você saiba.

Na minha pele e na tua, nenhuma ligação, somente a presença, a época e o momento. Novamente, os malditos momentos, os reflexos no espelho, os gemidos de dor. Ah, a dor. Gostamos dela, não gostamos?

Se ler com atenção, talvez lembre como eu, dos detalhes nas entrelinhas.



[de 04-09]